28 de abr. de 2021

Galinho despertador calou-se para sempre antes de tomar a segunda dose da vacina que o protegeria da covid-19

 



Durante muitos anos, milhares de maranhenses, além de pessoas em diversas outras partes do país (e por que não dizer também do Mundo?), se acostumaram a começar sua rotina diária, despertados, por Carlos Henrique, que há mais de quatro décadas sustentou um programa diário - O Galinho Despertador - na Rádio Educadora, pelo qual se comunicava, principalmente, com a comunidade rural.

Nos últimos anos, não mais; até uma década atrás, algumas vezes; na infância e adolescência em Pindaré-Mirim e por outros lugares onde vivi, todos os dias ouvia o seu programa, que não era uma referência para quem queria começar o dia bem informado sobre os últimos acontecimentos na política nacional ou internacional, sobre o mundo dos negócios, muitos menos sobre acontecimentos da high society. 

Sua comunicação era simples, mais voltada para o entretenimento e a manter os ouvintes do interior bem informados sobre o que acontecia nas vizinhanças, o que certamente diminuiu muito nos últimos anos, já que com os rigores para enfrentamento da pandemia, muitas festas de santos, bailes de forró, vaquejadas etc foram proibidas, portanto, sem informação, mas certamente tinha meios para manter a fidelidade da audiência.

Carlos Henrique mantinha um público tão fiel, que nem mesmo os avanços tecnológicos da informação que possibilitam até mesmo nas comunidades rurais o uso de smartphone, email etc, diversas pessoas ainda recorriam à sua audiência para informar chegada, estada, partida, consulta, compra e, infelizmente, até falecimento de alguém que se deslocou para a capital. O badalo de um chocalho, tal como os pendurados em pescoço de animais, era o som característico do programa.

Não sei precisar há quanto tempo Carlos Henrique estava ausente do rádio, pois a informação que recebo é de que há dias estava internado, mas, com tristeza, os maranhenses foram informados nesta quarta-feira (28), que o "galinho" se calou para sempre. Mais uma vítima da covid-19, a impiedosa doença que assusta a todos nós.

Quando li as notícias sobre a morte do amigo radialista, uma coisa me chamou atenção: a idade. Estava com 78 anos, portanto logo procurei saber se havia ou não se imunizado. Não estava, mas havia tomado a primeira dose e agora em maio, tomaria a segunda, ou seja, não deu tempo de se imunizar 100% e o vírus não teve piedade, o levou, tirou do nosso convívio. Mais uma amigo que se foi!

Fica a lição para os que ainda acham que proteção demais é liberdade de menos. Sejamos prudentes, e cuidemos do que temos de mais precioso: a vida.


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