12 de abr. de 2021

Sem medo de ir para briga, presidente Jair Bolsonaro não consegue estabelecer a harmonia entre os três poderes



Todas as vezes - e elas têm sido muito frequentes - que o presidente Jair Bolsonaro reúne chefes dos demais poderes e representantes de outros segmentos sociais para sinalizar com um embarque para uma viagem pacífica rumo ao ponto seguro que venha dar tranquilidade a todos os brasileiros, principalmente aos mais ansiosos pela superação desta crise que se criou com a pandemia de covid-19, a pergunta que sempre se deve fazer é "até quando?".

Isto mesmo, quanto tempo durará este seu comportamento de paz e harmonia, de serenidade ou, como se exige de um chefe de nação, de estadista? Afinal de contas, todas as tentativas ou encenações disto não duraram mais do que duas semanas, pois o homem está sempre de pilhas carregadas ligadas a fios desencampados, prontos para provocar curto circuitos.

A verdade é que o presidente Bolsonaro, por mais que seus seguidores não gostem que se diga isso, mesmo aqueles que admiram o fato dele ser assim, é uma pessoa vocacionada a viver em conflitos, e na semana que passou foram pelo menos duas explosões verbais, e quando todos imaginavam que a segunda-feira seria amena, mais uma no domingo. 

Na sexta-feira (09), o alvo do desabafo do presidente foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso, a quem acusou de não ter moral e ser ativista político, por ter determinado ao Senado abertura de uma CPI contra o Governo Federal por suposta omissão na crise sanitária de Manaus (AM); no sábado (10), foi a vez do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ser chamado de patife pelas restrições econômicas para conter a pandemia de covid-19; no domingo (11), veio ao ar a gravação da conversa com o senador Jorge Kajuru, com teor bombástico.

Esses episódios jogam na vala do esquecimento alguns esforços para superação da crise, como a criação de um comitê nacional para enfrentamento da covid-19, pois certamente a harmonia entre os três poderes a essa hora foi para o espaço. 

Apesar desse destrambelho do presidente, reconheçamos que não é fácil governar um país nas circunstâncias em que ele se assumiu e vem conduzindo seu governo. Primeiro, ninguém acreditava que sequer conseguiria registrar sua candidatura; depois se teria condições de tocar a campanha; depois se venceria, mas, contrariando todas as lições de marqueteiros, pesquisas de opinião pública, cobertura jornalística da campanha dos grandes veículos de comunicação, um atentado a faca etc venceu, e até hoje quem perdeu não se conforma, enquanto outros gostariam que tivesse a postura polida de alguns adversários, deixando de lado o discurso que fez dele um "mito".

A Bolsonaro não vem sendo dado também uma semana de refresco. São mais de 60 pedidos de impeachment, na Câmara, alguns sem nenhum sentido; todas as semanas alguém bate à porta do Supremo, e este sempre acolhe, para protocolar denúncias contra ele; na maioria dos veículos de comunicação não há uma menção de algo positivo do seu governo, apenas o lado ruim; dia sim dia não, um ministro do STF faz declarações bombásticas contra ele ou seu governo em entrevistas e palestras pouco ligando se algum dia irá julgá-la, e por aí vai a crise, com um presidente sem medo de briga e o tempo todo sendo chamado para uma.

O mais preocupante de tudo isto é que ainda faltam 17 meses para o primeiro turno da próxima eleição, e todo esse barulho é por conta desse momento que se avizinha lá longe. Todos seus adversários são unânimes em afirmar que ele não se reelegerá. São tão convictos disso, porém nenhum parece disposto a derrotá-lo nas urnas; preferem tirá-lo pela via judicial, e por conta desta ansiedade, estamos nesta encruzilhada, a espera de paz, sossego, pois tem um inimigo maior querendo destruir todos nós, e não escolhe entre direitista e esquerdista, é quem se atravessar. Trata-se do covid-19, que infelizmente tem parecido ser menos danoso do que aqueles que foram os escolhidos para, em nome do povo, combatê-lo.




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