30 de abr. de 2021

Vidas negras importam? Bem, no Brasil dos nossos tempos, depende do negro a quem essa vida pertencia!

O instrumento de tortura usado para castigar a pequena Ketelen até a morte


Pode ser deficiência do cronista, que não atentou para o que vem acontecendo, porém até onde minha vista alcança, meus ouvidos ouvem e meus olhos vêem, a morte da menina Ketelen não foi suficiente para atiçar o ódio de feministas, defensores das crianças e adolescentes, do povo negro, do movimento LGBT e outros discriminados neste país.

Ketelen, para quem ainda não ligou a narração à pessoa, era linda menina negra, de um sorriso meigo, que foi vítima da brutalidade de duas pessoas adultas que a submetiam, com a conivência de uma terceira (a mãe de uma delas), a maus tratos, jogada num quarto insalubre, numa cidade do interior do Rio de Janeiro, e que não resistiu à última sessão de tortura a que foi submetida, de uma sexta à uma segunda-feira. 

A polícia prendeu quem cometeu tamanha barbaridade e quem ocultou também, porém os movimentos sociais fingem não ver e nada dizem. Os protestos que têm surgido são de pessoas, digamos, com mente lesada pela conservadorismo.

A menina tem a seu desfavor para não atrair a condenação de sua morte por artistas, politizados, militantes de esquerda, defensores de direitos humanos, políticos, gurrilheiros das mídias sociais etc o fato de ser pobre, ou seja, "gente de menor importância", porém pior do que isso é o fato de a autoria das agressões que a levaram à morte ser de duas mulheres (parda e negra), logo vítimas do preconceito racial; lésbicas e amantes, ou seja, integrantes do movimento LGBT, portanto é preciso muito cuidado ao se levantar bandeiras pedindo Justiça a fim de não ser confundido com racista, homofóbico e outros rótulos que alguns gostam de colar nos rostos de quem pensa diferente das suas causas.

Ketelen morreu dias depois da descoberta de outro crime bárbaro no Rio de Janeiro contra criança vítima de quem deveria protegê-la. Trata-se do menino Henry Borel. Seus algozes são o médico e vereador Dr. Jairinho, e sua namorada Monique, mãe de Henry.

Por esta morte, até deputada de esquerda foi às redes sociais cobrar de ministros pelo menos uma palavra de reprovação ao ato, o que não passou de uma deslavada mentira, pois de quem cobrava já tinha feito.

Por que Henry, menino branco e rico, mexe com sentimentos de militantes de esquerda? Porque quem o agrediu é político, que, mesmo sendo de um partido de esquerda, o Solidariedade, foi líder do prefeito homofóbico e racista Marcelo Crivella, na capital fluminense, e sua família teria um histórico de relação com milícias no bairro de Bangu, isto é, um bom currículo para ser apedrejado.

Enquanto isso, Ketelen é deixada de lado, pois sua vida negra não importava. Nem importará.


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