12 de mai. de 2021

Governo que nunca quis fazer testes sobre como voltar aulas com segurança faz experiência com o futebol

 

Há meses, o Governo do Estado vem adiando a volta às aulas de forma presencial, na rede pública, porque as autoridades de Saúde e de Educação, compreensivelmente, ainda não sabem como garantir segurança a alunos, professores e demais funcionários dos estabelecimentos de ensino e, consequentemente, a seus familiares, no que diz respeito a evitar uma transmissão em massa de covid-19.

A necessidade de evitar mais contaminações não elimina  entretanto, a compreensão de que estudantes não podem continuar sem aprender e da forma remota, como vem sendo, o aprendizado é muito deficiente, por isso, quanto mais cedo puder, crianças e adolescentes, sem esquecer adultos, terão de voltar às salas de aulas. 

O que não se compreende é porque nunca foi adotado um experimento de como esse retorno poderia se dar de maneira segura.

Pegava-se uma escola para servir de modelo, com testagem de alunos, equipamento das instalações, regras de distanciamento e uma série de outras regras e à medida que fossem aparecendo os resultados, outras escolas seriam incluídas.

Parece simples, não é? Parece, porém é muito complicado, tanto que até agora não houve essa decisão.

Estranhamente, contudo, o Governo do Estado está determinado a fazer, a partir deste fim de semana, um experimento para o retorno de público a uma atividade que, salvo melhor juízo, é muito msis perigosa e complicada de controlar: futebol.

Nos dois próximos domingos, as partidas entre Sampaio Corrêa e Moto Club para definir quem será campeão maranhense de 2021 serão com torcidas na arquibancada, e serão recebidos até 6 mil torcedores. Uma série de regras está sendo baixada, como comprovação de vacina, testagem, uso de máscaras, não aglomração no entorno do estádio etc.

O secretário de Saúde, Carlos Lula, que, na condição de presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), é um dos maiores críticos de aglomerações, bem que poderia tirar algumas dúvidas.

A exigência de testagem 48 horas antes do jogo garante que o torcedor vai chegar ao estádio sem ter sido infectado na véspera ou na manhã do domingo?

Vai haver controle do entorno do estádio a fim de evitar aglomerações, e nas paradas de ônibus e no interior dos coletivos em que os torcedores serão transportados?

Casos haja rebeldia e ocorra aglomeração, haverá reação policial?

São algumas perguntas, que, pela determinação do governo, não serão respondidas, tampouco levadas em conta, mas que servem para mostrar que quando a coisa é para atender políticos, é fácil, como na eleição. Quando é por uma causa mais nobre, fala a Ciência e a Medicina.

É assim, e ai!


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