3 de mai. de 2021

Manifestações de sábado: imprensa não anuncia e milhões vão; não noticia que houve e todos sabem que ocorreram

As manifestações de sábado passado (1º de maio), Dia do Trabalho, em que milhões de brasileiros foram às ruas hipotecar solidariedade ao presidente da República e "autorizá-lo" a fazer o que deve ser feito para colocar o Brasil em ordem, deixaram a chamada grande imprensa numa situação delicada, pois se dependesse somente dela ninguém ficaria sabendo que iriam ocorrer e também ainda estariam sem saber o que ocorreu aqueles que têm esses veículos como única fonte de informação.

Não se trata aqui de uma defesa ou de uma condenação sobre esses eventos, no que diz respeito às palavras de ordem proferidas, as reivindicações em faixas e cartazes e, principalmente, o desleixo com a segurança sanitária, já que não se tinha visto tantas aglomerações desde o início da pandemia em março de 2020, mas de uma observação sobre o que a imprensa está enxergando ou ignorando para manter seus leitores, ouvintes e telespectadores atualizados.

Vejam bem o que ocorreu: até à meia-noite da sexta-feira (30 de abril) nenhum veículo da mídia tradicional, seja jornal, site ou emissoras de rádio e TV (inclusive as segmentadas em jornalismo) deu qualquer informação sobre o que estava agendando pelos bolsonaristas para o dia seguinte. Ainda assim, nas primeiras horas da manhã as pessoas começaram a chegar aos locais marcados para as concentrações. A partir daí, uma ou outra emissora de rádio mencionava. 

As aglomerações iam se avolumando e a grande imprensa ignorando e quando se viu as ruas das principais cidades do país estavam tomadas, com milhões vestidos de verde e amarelo, na primeira festa atípica do Dia do Trabalho. A repercussão foi ainda pior, pois na maioria dos casos foram usadas imagens que nem de longe retratavam o que de fato ocorreu. Aqui no Maranhão, então, com raríssimas exceções, quase nenhum veículo noticiou a manifestação dos conterrâneos.

A análise sobre esse comportamento da mídia não é porque deixou de noticiar esses eventos, mas porque ela passa a impressão de que não é mais essencial para informar. 

Ora, se a notícia sobre o que vai acontecer não é dada e ainda assim muita gente vai para os locais onde irão ocorrer e se depois de ocorrido, mesmo assim não se noticia, mas todos ficam sabendo o que se passou e ainda exibem imagens, é sinal de que outros meios mais eficazes estão assumindo a função do jornalismo, as chamadas redes sociais.

Não é sem sentido que nas pesquisas em que é medida a confiança dos brasileiros nas suas instituições, a imprensa sempre aparece lá embaixo.

Que encrenca esta em que estamos nos envolvendo, coleguinhas do quarto poder.


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