29 de mai. de 2021

Não basta pedir vacinas; é preciso aplicar, e o Maranhão até agora utilizou apenas metade do que recebeu


Nesta sexta-feira (28), dois depoimentos sobre vacinas contra covid-19 despertaram curiosidade, pelo que retratam sobre a fragilidade com que o governo vem enfrentando essa questão, já que trata-se da arma mais potente para enfrentamento desta terrível doença.

Com base no depoimento do diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, na última quinta-feira (27), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que investiga as ações do governo no enfrentamento da pandemia, o infectologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (RS), estima que pelo menos 95 mil mortes teriam sido evitadas se o Ministério da Saúde tivesse fechado contratos com a Pfizer e o Butantan no momentos em que essas vacinas foram oferecidas. 

Vale ressaltar, porém, que entre a oferta e a efetivação das compras, havia conclusão de testagem, certificação dos produtos e outras exigências, daí porque os imunizantes só puderam ir para os braços dos brasileiros a partir de janeiro.

Difícil contestar cálculos de cientistas, principalmente por parte de quem tem entendimento sobre o assunto abaixo de zero. Sabe-se, no entanto, que realmente é um número expressivo de vacinas prometidas, mas ninguém garante se estariam prontas para entrega das datas mencionadas, tampouco se seriam suficientes para salvar vidas, tantos são as revelações sobre eficácia de algumas desses vacinas. 

De acordo Dimas Covas, o Brasil poderia ter ate o final de março 45 milhões doses a mais de vacinas.

O outro depoimento que chama atenção é do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB), que adotou discurso mais contundente desde que passou a apresentar semanalmente dados sobre o enfrentamento da doença no estado. Segundo Flávio Dino, não é concebível que num momento em que se briga tanto por vacina, ainda há doses demais sem aplicação.

Pelos números apresentados (veja foto), o Maranhão já recebeu mais de 3 milhões de doses vacinas, o que em tese daria para imunizar 1,5 milhão de pessoas com as duas doses. Destas, 2,2 milhões já foram entregues aos municípios e 1,6 milhão foram aplicadas. A diferença entre o total recebido e o distribuído é de 800 mil doses; das distribuídas e aplicas, 600 mil; das recebidas e as aplicadas, 1,4 milhão. Algum infectologista poderia fazer um cálculo e estimar quantas vidas poderiam ter sido preservadas se todas essas vacinas tivessem sido aplicadas? Em tese seriam 700 mil maranhenses a mais imunizados, o que corresponde a cerca de 10% da população total do estado.

Vale ressaltar que Flávio Dino, o que é uma qualidade não um defeito, é um dos maiores defensores de que o Brasil precisa aumentar as compras de vacinas, daí é um dos que mais exigem negociações imediatas com o Instituto Gamaleia, da Rússia, para fornecimento da Spstunick V, mas até ele deve estar se perguntando se a briga por mais vacina é suficiente para a doença ser erradicada, se as doses não estão indo para os braços dos brasileiros.

Ah, ia esquecendo: ainda nesta sexta-feira surgiu mais uma polêmica sobre vacinas: diversas doses que deveriam ter sido aplicadas para imunizar maranhenses estavam na casa do filho de ex-prefeito de Apicum-Açu, em São Luís.

É muita gente com rótulo de genocida, mas ninguém diz. 



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