6 de mai. de 2021

Partidos não prestigiam as suas senadoras, mas elas conseguem no grito mudar regras da CPI da Pandemia




Um dos momentos mais emocionantes na sessão de quarta-feira (05) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado, foi o acalorado debate entre as senadoras Eliziame Gama (Cidadania) e Simone Tabet (MDB) com os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcos Rogério (DEM) por conta de uma prerrogativa dada a às parlamentares para se manifestarem depois do presidente, do relator e do vice e antes dos demais membros efetivos do colegiado.

A reação dos senadores à quebra do regimento foi interpretada como preconceituosa, machista, pois seria uma tentativa de barrar a participação feminina nesses debates. Vale ressaltar que, estranhamente, a comissão não tem, apesar delas serem 12, ou seja, 14,81% das 81 cadeiras do parlamento, uma mulher em posição de titular ou suplente.

O que estranha é que esta distorção, ao que parece, em nenhum momento foi debatida internamente nos partidos, e foi levada para ser resolvida de forma distorcida no plenário da CPI, diante das câmaras de TV e assim as mulheres ganharam no grito.

Para que se tenha ideia do que seja isso, o MDB é um dos partidos com maior número de membros na comissão – Eduardo Braga (Amazonas); Renan Calheiros (Alagoas), que é o relator; e Jader Barbalho (Pará), este suplente – mas não convocou nenhuma das duas mulheres que tem no Senado, Simone Tebet (Mato Grosso do Sul) e Nilda Gondim (Paraíba). Um detalhe, Jader e Renan são, respectivamente, pais dos governadores Renan Filho (Alagoas) e Helder Barbalho (Pará), ou seja, o partido preferiu escolher quem poderia proteger primeiro os seus do que prestigiar o público feminino.

O PP do senador Ciro Nogueira (Piauí) e Luiz Carlos Heinzi (Rio Grande do Sul), este suplente, deixou de fora as senadoras Kátia Abreu (Tocantins) e Mailza Gones (Acre).

O PSDB é outro bom exemplo, pois optou por indicar o senador Tasso Jeireissati (Ceará) e não prestigiou Mara Gabrilli (São Paulo).

O Cidadania da senadora Eliziane Gama obteve uma vaga de suplente, mas escolheu Alessandro Vieira (Espírito Santo).

Na mesma quantidade de membros está o PP do presidente da CPI, Omar Aziz (Amazonas), que tem como companheiros Otto Alencar (Bahia) e o suplente Ãngelo Coronel (Bahia), mas ele pelo menos não tem mulheres.

O DEM do senador Marcos Rogério (Rondônia), o Podemos de Eduardo Girão (Ceará), o PT de Humberto Costa (Pernambuco) e o Rede de Randolfo Rodrigues (Amapá) estão isentos dessa polêmica, pois não contam com parlamentares femininas; e o PL de Jorginho Mello (Santa Catarina) também não têm mulheres.

O que ficou de lição desse lamentável bate-boca entre membros do parlamento foi mais uma vez a comprovação de que bem sempre o que está escrito vale, principalmente se quem estiver tencionado a inverter a ordem das coisas apelar para aquilo que facilmente pode ser confundido com preconceito, seja de gênero, de raça e outros. Foi o que as senadoras fizeram, mas continuarão sendo desprestigiada dentro de suas legendas.

Nenhum comentário: