2 de jun. de 2021

CPI da Pandemia abusa da violência contra mulheres e bancada feminina finge não ver excesso de machismo






















Sempre tive curiosidade para entender por que um parlamentar para integrar uma CPI precisa antes fazer um estágio de boçalidade. É impressionante o festival de desconhecimento dos temas debatidos e a ânsia de aparecer, que fazem com que as intervenções sejam quase sempre distorcidas, e isto está presente de forma mais acentuada ainda nesta comissão em andamento no Senado, que seria para investigar omissões e erros dos governos federal, estaduais e municipais na condução das medidas para contenção de pandemia da covid-19.

Dividida entre adversários e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, a comissão atua como se fosse a principal aliada do vírus, pois, em vez de perderem tempo em debates que não levam a lugar algum, senadores bem que poderiam estar ocupando seus tempos em verificar, por exemplo, por que as vacinas não estão chegando nos braços dos brasileiros, como é o caso do Maranhão, onde a diferença de doses recebidas pelo Governo do Estado e as distribuída às prefeituras beira 1 milhão, ou seja, dariam para imunizar com duas doses cerca de 500 mil pessoas, quase metade da população de São Luís.

O festival de bobagens e grosseria ficou mais evidente nesta terça-feira (1º), quando a médica Nise Hitomi Yamaguchi (foto) foi chamada a depor, como convidada, e quase não conseguiu falar, sendo submetida a um festival de humilhação como há muito não se via no parlamento brasileiro, o mesmo que aprovou uma lei de abuso de autoridade, certamente para preservar seus membros quando chamados à presença de juízes e delegados de polícia.

Nise foi a segunda mulher a depor aos senadores e apenas uma parlamentar, a senadora Leila Barros, do Distrito Federal, saiu em sua defesa, mesmo discordando dos seus pontos de vistas, quando percebeu que a depoente sequer conseguia completar uma resposta às perguntas formuladas por seus carrascos. 

Antes dela, depôs a secretária de Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, que entrou pronta para apanhar também, mas esta pelo menos conseguiu se impor, outra vez sem solidariedade da bancada feminina.

Nesta quarta-feira (02) foi a vez da também médica Luana Araújo. Bem a esta foi dado tratamento vip, pois, ao contrário das outras, deixou de ser efetivada no Ministério da Saúde, por razões que até ela desconhece, mas o simples fato de ter deixado o governo já é vista com simpatia.

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