5 de jun. de 2021

É desgastante e doloroso perder tantos amigos para a pandemia e para a intolerância política também



O ano de 2018 será, para muita gente, o último em que ainda era possível manter convivência pacífica e civilizada, apesar das diferenças de opiniões, principalmente políticas. Foi o período, a partir de quando,  demagogos de esquerda e de direita,  detentores de cargos públicos, interessados em atingir esse status social e econômico e quem depende desses atores para manterem seus privilégios mais invadiram vidas alheias e trataram de afastar, sem piedade, amigos, parentes, casais e outras pessoas que se queriam bem.

Trata-se de um estrago maior do que as perdas para a pandemia de coronavírus, pois estas, apesar da perversidade do vírus irracional, pelo menos deixa saudades, e aquelas só alimentam rancores, preconceito, inveja, ódio... todos os dias, por parte de quem deveria ter juízo.

Há poucos dias, ouvi de um amigo com histórico de militância em partido de esquerda o relato amargurado de como foi sendo rejeitado em alguns ciclos de amizade até colarem nele o rótulo de "bolsonarista", só porque passou a externar opiniões diferentes daquilo que considera loucuras e inverdades, mas que são ditas e repetidas só porque a divergência política precisa ser mantida acesa cotidianamente.

Um outro reclama que passou a ser tratado como esquerdista, comunista, só por ter enxergado equívocos em algumas medidas do governo.

Eu mesmo tratei de sair de alguns grupos nas redes sociais depois que percebi estarem algumas velhas amizades trincando. Vale ressaltar que a maioria das minhas postagens é de chamadas para notícias publicadas no meu site - www.maranhaohoje.com - mas nem isto hoje se deve narrar como ocorrido, e sim como alguns gostariam que tivesse sido. Até mesmo uma manchete, sem ser mentirosa, torna-se "inadequada".

Faço essa reflexão na tarde deste sábado marcada por mais notícias tristes sobre perdas de amigos para a covid-19. Entristece mais ainda não poder sequer dizer adeus a quem se foi e ficam apenas as lembranças de belas convivências e a certeza de que jamais serão repetidas.

Meditava sobre isso e lembrei também das relações desfeitas pela discordância política. Bem que poderiam ser refeitas, mas quem terá um rasgo de lucidez num ambiente de loucuras, onde cada um busca apenas semear ódio e por isto jamais colherá paz?

Resta apenas torcer que assim como se busca vacinas contra coronavírus, alguém ofereça imunizante que preserva amor nos corações de cada um e a desarmonia seja erradicada. Que venha ser assim!


Nenhum comentário: